segunda-feira, 28 de julho de 2014

Profecias no livro de Daniel - parte 1



A VISÃO DE NABUCODONOSOR

“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem” (Salmos 24.1).
Israel é o povo escolhido por Deus para governar o mundo e foi através desta nação que Deus reafirmou “os Seus direitos sobre a terra e dá indicações precisas quanto à conduta do povo. No livro de Josué 3.11 vemos que Deus Se declara o ‘Senhor de toda a terra’; e em 5.14 que intervém pessoalmente como o príncipe do exército de Javé na batalha. Em I Crônicas 29.23 é dito que o trono de Javé está em Jerusalém” [28]. Mas o povo escolhido desobedece ao Senhor, incorrendo em idolatria e as 10 tribos de Israel (reino do Norte) são desterradas para a Assíria (722 a.C.) e posteriormente Judá (reino do Sul) sofre três deportações para a Babilônia também por desobedecer a Deus em relação à guarda da aliança, e a glória de Deus que havia enchido o templo (I Reis 8.10) afasta-se do mesmo e é vista abandonando Jerusalém, como relata Ezequiel 9.3, 10.4,19 e 11.23.
1ª deportação 605 a.C. (Daniel estava entre os deportados);
2ª deportação 597 a.C. (Ezequiel estava entre os deportados);
3ª deportação 14 de agosto de 586 a.C. Jerusalém e o templo
sofrem destruição pelos babilônios.



É preciso lembrar que até Daniel, nenhuma profecia abrangente sobre o governo gentílico havia sido dada por Deus, pois o domínio gentil só começou com Nabucodonosor, rei da Babilônia. O apóstolo Paulo escreveu que Deus é o “Criador e sustentador do universo” (Atos 17.24-26) o que foi reconhecido pelos profetas que ensinaram afirmando a soberania de Deus sobre toda a criação, povos, línguas e nações. Desta forma, Deus observa o curso da história para ver se tudo se cumpre conforme foi determinado pela Sua Palavra e o livro de Ezequiel expressa de forma impressionante esta soberania tanto que a expressão “Então saberão que eu sou o Senhor” é usada em torno de 61 vezes (dependendo da tradução). Embora o mundo esteja saturado pela violência, nada está fora do controle da vontade Soberana de Deus, pois Ele planejou o tempo em que as nações deveriam ter sua ascensão e queda (Atos 17.26). No mesmo período que Deus mostrava a Ezequiel a Sua glória abandonando o templo, fez saber também a Daniel sobre o governo mundial que seria implantado na história até que o Senhor Jesus voltasse para estabelecer o Seu reino para sempre. De antemão Deus já havia determinado a ascensão de reis como relata em Isaias 44.28 onde Ciro é chamado “meu pastor” e em 45.1 de “seu ungido”, porque Deus o designou para cumprir a Sua vontade, da mesma forma que o rei Nabucodonosor (Jeremias 25.9; 27.6; 43.10). Deus é o Soberano que exerce autoridade sobre toda a terra e que “Ele age como lhe agrada com os exércitos dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão ou dizer-lhe: O que fizeste?” (Daniel 4.35).

A Visão de Nabucodonosor

Sabemos que houve impérios grandiosos que subjugavam as nações militarmente mais fracas e tiveram um amplo domínio. Podemos citar o Egito – que a época dos faraós atingiu a perfeição nas artes, ciências e literatura além de um forte exército – e a Assíria, império grande e poderoso, eram cruéis e ferozes. Mas estes, como tantos outros cujos feitos estão registrados na história, ou perderam a sua influência e poderio militar, ou simplesmente não existem mais. A Assíria, império que desterrou as 10 tribos de Israel, começou a ceder diante da Babilônia e no ano de 612 a.C. cai nas mãos de exércitos aliados dos babilônios e medos.

Estando o profeta Daniel no exílio babilônico, Deus deu uma revelação em sonhos que perturbaram muito a Nabucodonosor, rei do império dominante (Daniel 2). Este, por sua vez, ainda impressionado com o sonho que teve e desejando saber o significado das visões que o deixaram perturbado, convocou os magos, os encantadores, os feiticeiros e os astrólogos que eram os que dominavam os escritos babilônicos a respeito da astrologia e adivinhações através das literaturas pagãs. Só que seus estudos e conhecimentos do ocultismo se revelaram inúteis ante a recusa do rei em contar-lhes o sonho, o que levou eles reconhecerem que a revelação deste sonho só poderia dar-se através dos “deuses que não vivem entre os homens” (vv.8-11). Ao saber da ordem do rei, que havia ficado furioso e mandara matar todos os sábios da Babilônia (v.12), Daniel, que nesta época era um jovem, pediu ao rei tempo para buscar de Deus a revelação e a interpretação do sonho juntamente com seus companheiros Hananias, Misael e Azarias (v.16). Então o mistério foi revelado a Daniel que louvou a Deus e a seguir pediu para ser conduzido à presença do rei e declarou que o “Deus que revela mistérios” mostrou ao rei o que acontecerá nos últimos dias (vv.19-30).

“Tu olhaste, ó rei, e diante de ti estava uma grande estátua: uma estátua enorme, impressionante, e sua aparência era terrível”. Dá para perceber o impacto que esta visão causou no rei a ponto dele ficar tão perturbado. Daniel segue declarando aquilo que ele viu: “A cabeça da estátua era feita de ouro puro, o peito e o braço eram de prata, o ventre e os quadris eram de bronze, as pernas eram de ferro, e os pés eram em parte de ferro e em parte de barro. Enquanto estavas observando, uma pedra soltou-se, sem auxílio de mãos, atingiu a estátua nos pés de ferro e barro e os esmigalhou” (vv.31-34). Diante da queda do povo escolhido (Israel), Deus entregou o governo do mundo aos povos gentílicos e esta seqüência foi mostrada na visão onde aparecem reinos poderosos que nunca existiram antes, nem existiriam depois. O domínio deles seria mundial.É claro que nestes quase seis mil anos em que o homem está sobre a face da terra surgiram muito mais do que quatro reinos ou impérios, mas eles não são citados nesta visão porque seriam passageiros. Hoje sem sombra de dúvidas os Estados Unidos dominam o mundo moderno, mas logo ele dará seu lugar ou fará parte da confederação de dez reinos que surgirá, antes do quinto reino entrar em cena. Sobre os escombros de impérios dominados por homens pecaminosos e corruptos, será edificado o quinto reino que é o reino de Deus (v.35).

A cabeça de ouro fino simboliza o império babilônico (626-539 a.C.), o peito e os braços representam a Média-Pérsia (539-330 a.C.), o ventre e os quadris simbolizam o reino da Grécia (330-69 a.C.) e as pernas de ferro simbolizam o império Romano (69 a.C.) bem como a sua futura divisão em ocidente e oriente (século IV). Os pés em parte ferro e parte barro mostram um reino dividido que será formado por uma confederação futura de dez nações (os dedos dos pés) que ocupará o mesmo território do antigo império Romano. Justamente por não terem entendido esta parte da visão, os rabinos judeus não aceitavam Jesus como o Messias, pois acreditavam estar vivendo sob o último reinado da visão: O império Romano. Acontece que ainda não estavam sendo governados por uma confederação de dez reinos. A diferença entre os metais indica que ao mesmo tempo em que os reinos iam perdendo o esplendor com a diminuição do valor dos metais, eles iam ficando cada vez duros e resistentes.

“Na época desses reis, o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo. Destruirá todos os reinos daqueles reis e os exterminará, mas esse reino durará para sempre” (v.44). Ao mesmo tempo em que Deus mostrou o governo gentil do mundo, simbolizado pelos quatro reinos, Ele dá inequívocas amostras que retomará o governo direto do mundo através do quinto reino que surgirá. Jesus Cristo governará com justiça e o seu reino não passará a outro, mas para isto é preciso primeiro destruir o império manchado de sangue e corrupção edificado pelo homem. O fato de o monte (reino de Cristo) atingir a estátua nos pés (v.34), significa que somente no período de um governo mundial em que dez reis governem simultaneamente é que Jesus Cristo voltará a terra para reivindicar o governo e reinar para sempre aniquilando o império da morte. A razão de serem esmiuçados o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro (v.45) é sinal que os reinos passados não acabaram, mas foram sendo incorporados pelo reino vencedor.

No restante do capítulo, o rei Nabucodonosor, reconhece que o Deus de Daniel é “Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios” (v.47). Verdadeiramente ele ficou espantado com o fato de Daniel ter declarado o sonho e ter dado a sua interpretação, pois só o rei sabia do fato. Isto fez com que Daniel fosse reconhecido como servo de Deus e engrandecido em todo o reino da Babilônia, afinal Deus não havia esquecido que Daniel, Hananias, Misael e Azarias não quiseram se contaminar com a comida e a bebida do rei (Daniel 1), como fizeram os demais jovens que moravam no palácio real, mas permaneceram puros diante de Deus e foram recompensados e usados como instrumentos poderosos nas mãos do Senhor. Que possamos nós atentar para exemplos como estes numa época em que a frieza espiritual tem avançado assustadoramente.