terça-feira, 29 de julho de 2014

Profecias no livro de Daniel - parte 2




“Depois disso, vi um outro animal, que se parecia com um leopardo. Nas costas tinha quatro asas, como as de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar”

A PRIMEIRA VISÃO DE DANIEL

No primeiro ano do rei Belsazar (c. de 553 a.C.), Daniel teve um sonho onde ele via quatro animais grandes diferentes uns dos outros que saiam do grande Mar: “O primeiro parecia um leão, e tinha asas de águia. Eu o observei e, em certo momento, as suas asas foram arrancadas, e ele foi erguido do chão, firmou-se sobre os dois pés como homem e recebeu coração de homem” (Daniel 7.4). Agora é Daniel quem vê os impérios, não na forma em que foram mostrados no capítulo dois, mas em forma de animais aonde são acrescentados detalhes à revelação. O leão, rei dos animais e a águia rei dos pássaros, mostram toda a realeza do império babilônico. Quanto ao fato de se colocar em pé como homem e receber um coração pode se referir às experiências do rei Nabucodonosor em se recusar a dar glórias a Deus e passar a viver como um animal durante sete anos, até que reconheceu que o céu reinava (Daniel 4.33-36).

“A seguir, vi um segundo animal, que tinha a aparência de um urso. Ele foi erguido por um dos seus lados, e na boca, entre os dentes, tinha três costelas. Foi-lhe dito: Levante-se e coma quanta carne puder!” (v.5). A razão de ser representada por um urso, mostra a ferocidade do império Medo-Persa, bem como a ausência da majestade do leão. Ao ser erguido por um dos seus lados indica a superioridade dos Persas no reino. As três costelas entre os dentes podem significar a Babilônia, a Média e a Pérsia ou, segundo a Bíblia de estudos NVI (BENVI), as três conquistas do império: Lídia (546 a.C.), Babilônia (539 a.C.) e o Egito (525 a.C.).

Daniel segue dizendo: “Depois disso, vi um outro animal, que se parecia com um leopardo. Nas costas tinha quatro asas, como as de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar” (v. 6). O terceiro animal da visão representa o reino da Grécia, o qual aparece dotado de asas simbolizando a rapidez dos movimentos do exército grego. Alexandre, o Grande, após submeter à Grécia ao seu domínio, venceu os Persas e conquistou o Egito, e sem mais terras a conquistar acabou morrendo viciado com apenas 33 anos. As quatro cabeças que aparecem na visão representam as quatro principais divisões em que seu império se desfez após a sua morte.

“Em minha visão à noite, vi ainda um quarto animal, aterrorizante, assustador e muito poderoso. Tinha grandes dentes de ferro, com os quais despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores e tinha dez chifres” (v.7). Este animal não nomeado simboliza o império Romano, o maior e mais terrível que seus antecessores e literalmente devorava os países que conquistava. Os dez chifres que aparecem agora, tem o mesmo significado dos dez dedos dos pés na visão do capítulo 2: Representam uma futura confederação que terá grande autoridade.

No versículo 8 está escrito: “Enquanto eu considerava os chifres, vi outro chifre, pequeno, que surgiu entre eles; e três dos primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância”. O futuro líder político que na Bíblia é identificado como o Anticristo, foi mostrado nesta visão como o chifre pequeno que surge dentro da confederação. Seu poder e domínio são demonstrados no fato dele abater três dos dez reis. O falar com arrogância é explicado no versículo 25 o qual diz que “ele falará contra o Altíssimo”, isto é, blasfemará contra Deus. É certo que este versículo, bem como o anterior ainda espera um cumprimento futuro. Vejamos que ainda não surgiu o Anticristo e nem a confederação de dez reis que governem o mundo simultaneamente. A seguir é mostrado a Daniel o trono da glória e Deus assentado sobre ele para dar início ao julgamento. Do trono saiam chamas de fogo (v.9) simbolizando o Seu domínio absoluto, enquanto milhares de milhares O serviam (v.10).

Daniel vê então o quarto animal sendo morto, seu corpo desfeito e entregue para ser queimado (v.11) e o versículo 12 explica que os outros três animais perderam o domínio, mas continuaram a existir. Isto é notório pelo fato de que o império vencido foi sendo absorvido pelo império vencedor, diferentemente do que acontecerá com o último estágio do quarto império que será sucedido pelo reino de Jesus Cristo.

Nos versículos 13 e 14 é mostrada a vinda de Jesus Cristo para reinar e estabelecer o Seu reino para sempre. Aparece também a referência ao Messias como o Filho de Deus na expressão “Filho do homem”, título usado por Jesus diversas vezes no Novo Testamento.

“Então eu quis saber o significado do quarto animal, diferente de todos os outros e o mais aterrorizante” (v.19). Apesar do anjo ter explicado que os quatro animais eram quatro reinos que se levantariam da terra (v. 17), a visão do quarto animal havia deixado Daniel espantado. Claramente o império Romano sobrepujou todos os outros, devorava e fazia em pedaços tal a sua força. Não houve reino semelhante. Também chamou a atenção de Daniel os dez chifres e aquele outro pequeno que arrancou três dos dez chifres. O anjo explicou que desse reino se levantarão dez reis e submeterão a terra ao seu domínio. Inegavelmente esta passagem ainda está para se cumprir. É histórico que o quarto império (Romano) existiu e incorporou os outros três que lhe antecederam. Estes ainda existem, mas sem o seu antigo poder. A Babilônia é o atual Iraque, a Média-Persa é o Irã e a Grécia existe com o mesmo nome. O império Romano deixou de existir como um reino primeiramente no século IV, quando caiu o império Romano do ocidente. Posteriormente, em 1453, quando os Turcos tomaram Constantinopla, chegou ao fim o império Romano do oriente, mas mesmo assim, fragmentos do império continuam a influenciar a história moderna. A União Européia que hoje ocupa lugar destacado no cenário mundial começou a surgir em 1957, através do tratado de Roma, ainda temos o sistema de governo, as leis, os conceitos religiosos e o esplendor cerimonial dos bizantinos que influenciam a vida de bilhões de pessoas atualmente. O corpo do Código Civil, famosa compilação de princípios legais Justiniano, tornou-se a base da lei na Europa e influenciaram os países latinos. Isto mostra que a herança do império Romano está por todo o mundo, em pleno século XXI.

Na visão do capítulo 2, os pés são mostrados como uma continuação das pernas da estátua sem referir um intervalo entre os impérios. Isto é uma característica da profecia bíblica. As duas vindas de Cristo são mostradas na Bíblia como um único evento não se referindo a este intervalo que dura quase dois mil anos. Tão pouco registra sobre o intervalo entre a semana de número 69 e 70 de Daniel 9; ou ainda, sobre a presente Era da igreja, pois isto era um mistério ocultado até mesmo dos profetas. No caso específico do império Romano, a Era presente é um intervalo entre ele e o futuro império Romano redivivo só que na forma de uma confederação de dez reinos. Destes, surgirá o pequeno chifre (Anticristo) que abaterá outros três (v.24), terá domínio mundial (Apocalipse 13.3), se levantará contra o povo santo e se proclamará Deus (II Tessalonicenses 2).

No versículo 25 está escrito o período de domínio deste rei: “Eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, tempos e metade de um tempo”. Cada tempo significa um ano, sendo então pré-determinado como 3,5 anos. Este período é registrado como os 42 meses de Apocalipse 13.5 e os 1260 dias de 11.3 e ainda a segunda metade dos sete anos de Daniel 9.27. Significa também que Deus está no controle de tudo e que o mal tem tempo determinado para acabar. Mas passado este período, o reino e o domínio será tirado deste iníquo quando o tribunal se assentar em juízo e a “soberania, o poder e a grandeza dos reinos que há debaixo de todo o céu serão entregues nas mãos dos santos, o povo do Altíssimo” (v.27).

Nesta seqüência de visões, Daniel tem da parte de Deus a revelação sobre o domínio gentílico no governo mundial que culminará com a ascensão do Anticristo ao poder, seu jogo de intrigas alicerçado no engano e na mentira, sua implacável perseguição aos santos e ao povo judeu, e o arrogante desafio a Deus e ao Cordeiro por parte das nações e, por fim, a vinda gloriosa do nosso Senhor Jesus Cristo nas nuvens e o estabelecimento do Seu reino que continuará no novo céu e na nova terra como o Estado Eterno.

Para o cumprimento destas profecias tem que haver:
1. Um governante que governe toda a terra;
2. Uma confederação de dez reinos governando simultaneamente;
3. Três desses reinos sejam abatidos pelo governante;
4. Perseguição ao povo judeu que dure 3,5 anos;
5. Governo e governantes que sejam destruídos e o reino de Deus estabelecido.


A SEGUNDA VISÃO DE DANIEL


Essa visão aconteceu no terceiro ano do reinado de Belsazar (c. 551 a.C.). “Olhei para cima e, diante de mim, junto ao canal, estava um carneiro; seus dois chifres eram compridos, um mais que o outro, mas o mais comprido cresceu depois do outro” (Daniel 8.3). Esta segunda visão mostra agora um carneiro e posteriormente um bode e tem a ver com os reinos mostrados na visão da estátua do capítulo 2, representados pela prata e pelo bronze, bem como o urso e o leopardo do capítulo 7. Na visão de agora, esses dois reinos são apresentados com mais detalhes. O fato de Daniel estar vivendo no reinado babilônico e o império Persa assumir o poder em 539 a.C., ou seja, 12 anos após esta revelação, mostra o poder Onisciente de Deus em apresentar o futuro antecipadamente.

No versículo 20 é dada à explicação do simbolismo dos animais: “O carneiro de dois chifres que você viu representa os reis da Média e da Pérsia”. Daniel pode presenciar a ascensão deste reino, pois ainda vivia quando Babilônia foi tomada pelos Medo-Persas. O poder superior dos Persas explica o fato de um chifre ser maior que o outro. Nenhuma nação pode resistir ao domínio desse reino que se deslocou principalmente para o ocidente, destruindo tudo que se colocasse na sua frente até que 200 anos mais tarde fosse vencido por um novo império.

“Enquanto eu considerava isso, de repente um bode, com um chifre enorme entre os olhos, veio do oeste, percorrendo toda a extensão da terra sem encostar no chão. Ele veio na direção do carneiro de dois chifres que eu tinha visto ao lado do canal, e avançou contra ele com grande fúria” (vv.5,6). Nesta ocasião a Grécia era um país pequeno, mas Deus já havia determinado que ela dominaria o mundo e estenderia seu domínio além dos dois impérios anteriores. “O bode peludo é o rei da Grécia, e o grande chifre entre os seus olhos é o primeiro rei” (v.21), mais uma profecia cumprida literalmente. O chifre grande representa o poder político de Alexandre, o Grande, que foi o primeiro rei, era um exímio estrategista que morreu prematuramente. O fato do bode não tocar no chão, se refere às rápidas conquistas dos exércitos grego, simbolizado por um leopardo (rapidez) com asas de ave (velocidade) no capítulo 7. O bode sendo mostrado quebrando os dois chifres do carneiro, mostra a derrota total dos Medo-Persas ocorrida no ano 330 a.C.

No versículo 8 Daniel vê que o bode estando na sua maior força , o primeiro chifre foi quebrado e subiram quatro outros chifres também notáveis que iam em direção aos quatro ventos. A profecia teve seu cumprimento perfeito, pois Alexandre (o notável chifre), após conquistar da Índia a Babilônia, morreu com apenas 33 anos. Do seu lugar surgem quatro governos que se estenderam aos quatro ventos, o que é confirmado historicamente na divisão do reino grego em quatro partes: A Macedônia e a Grécia ficaram com Antípater e Cassandro; a Trácia e a Ásia menor, ficaram com Lisimaco; a Síria foi governada por Seleuco; a Palestina e o Egito ficaram com Ptolomeu.

Dos versículos 9 a 12 a visão se concentra no chifre pequeno que saiu de um deles, e “cresceu em poder na direção do sul, do leste e da Terra Magnífica”. Devemos diferenciar este pequeno chifre, daquele apresentado em Daniel 7.8 que se refere ao Anticristo que surgirá no estágio final do quarto reino representado pelas 10 nações. O pequeno chifre que agora Daniel vê, sai dos quatro chifres que surgem após a morte de Alexandre (o primeiro rei). Historicamente esta profecia foi cumprida por Antíoco IV Epifânio (168-164 a.C.), um governante da Síria que de todas as formas tentou destruir a fé judaica, tipificando assim a besta que surgirá no tempo do fim (Apocalipse 13). Classificado como ser desprezível (Daniel 11.21) assume o governo Sírio e se volta contra a santa aliança, ou seja, tenta dominar a terra santa e acabar com os fieis judeus (vv.9,10), apresentou-se como deus, tirou o sacrifício diário, profanando o altar de Deus sacrificando um porco sobre o mesmo e lançou a verdade por terra (vv.11,12). Sobre Antíoco, a BENVI trás a seguinte anotação: “Antíoco IV Epifânio é um tipo do Anticristo. Estendeu o seu poder sobre Israel, muitos judeus morreram por sua fé; colocou-se em pé de igualdade com Deus, e suspendeu o sacrifício diário. Judas Macabeus retomou a cidade e rededicou o templo ao Senhor em dezembro de 165 a.C”.

O versículo 13 mostra dois santos conversando sobre quanto tempo passaria até o cumprimento total da visão, ou seja, desde que o altar pagão fosse levantado por Antíoco no templo em Jerusalém, até ser dedicado novamente ao Senhor por Judas Macabeus: “Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs, e o santuário será purificado” (v.14). A BENVI explica dessa maneira o texto: “2.300 tardes e manhãs provavelmente se referem ao número de sacrifícios consecutivamente oferecidos em 1150 dias. O intervalo entre a profanação do altar e sua consagração por Judas Macabeus no dia 25 de quisleu de 165 a.C. O altar pagão levantado por Antíoco em 25 de quisleu de 168 a.C. foi, segundo parece, instalado quase dois meses depois de o altar do Senhor ter sido retirado, o que esclarece a diferença entre 1095 dias (exatamente 3 anos) e os 1150 especificados aqui”. O certo é que este versículo tem gerado diferentes interpretações [alguns interpretaram esses dias como 2.300 anos e esperaram a vinda de Cristo no ano de 1884, o que obviamente não ocorreu] sendo mais correto considerar como profecia já cumprida.

Do versículo 15 em diante, o anjo Gabriel dá mais instruções a Daniel a respeito das visões. Ele confirmou as interpretações acerca do carneiro e do bode e dá mais detalhes sobre Antíoco (vv.23-25). Embora esta passagem já foi cumprida, ela tipifica o futuro reinado do Anticristo, que também será um rei feroz de semblante e entendido em enigmas, fará prosperar o engano e se levantará contra o Príncipe (Jesus) dos príncipes. Mas, assim como Antíoco morreu de morte natural, isto é, “quebrado sem esforço de mãos humanas”, o futuro governante será “desfeito” por intervenção divina, como relatado em II Tessalonicenses 2.8.