quarta-feira, 5 de agosto de 2015

As setenta semanas

A terceira visão de Daniel – capitulo 9

Após receber as visões com relação aos quatro reinos mundiais e da vinda de Cristo, Daniel tem agora a revelação sobre o destino da sua nação, Israel. Embora as visões fossem dadas separadas, as profecias estão interligadas, pois a visão das setenta semanas abrange profecias desde Neemias (444 a.C.) até a segunda vinda de Cristo.


As setenta semanas
No primeiro ano de Dario (v.1), 539-538 a.C., Daniel entendeu ao ler a profecia no livro de Jeremias (29.10-14), a qual fala sobre as desolações de Jerusalém, que o tempo determinado do cativeiro de Israel seria de 70 anos. Daniel sabia que o motivo pelo qual o povo foi levado para o cativeiro babilônico era por desobediência a lei de Deus. Por 490 anos deixaram de observar os mandamentos em relação ao repouso sabático da terra (Levíticos 25.1-7 e 26.40-45), e por causa disso, a terra deveria descansar 70 anos que foi o período de anos não observados pelos judeus. Sendo assim, o cronista escreveu: “A terra desfrutou os seus descansos sabáticos; descansou durante todo o tempo da sua desolação, até que os setenta anos se completaram, em cumprimento da palavra do Senhor anunciada por Jeremias” (2º Crônicas 36.21. Leia também Levíticos 26.34,35).

Como Daniel foi deportado no ano 605 a.C. certamente ele fez os cálculos e chegou à conclusão que os setenta anos de cativeiro findariam aproximadamente nesta época (538 a.C. pelo calendário bíblico de 360 dias/ano). Entendendo desta maneira, cresceu em Daniel a expectativa de ver o cumprimento da promessa de Deus em relação à volta dos cativos para Jerusalém após findarem-se os setenta anos de exílio. Havia, entretanto, uma diferença entre o cativeiro de Israel e as desolações de Jerusalém. Estas começaram em 586 a.C. com a destruição da cidade e do templo, e se prolongaram por 70 anos, findando aproximadamente em 516 a.C. com a finalização do templo. Enquanto o cativeiro que começou em 605 a.C. com a primeira deportação só terminou em 538 a.C. quando Esdras foi autorizado a voltar a Jerusalém. Esta descoberta de Daniel fez com que ele se voltasse a Deus em oração, e do versículo 4 ao 20 estão registradas na Bíblia uma das mais notáveis orações.

Nos capítulos 2,7 e 8, Daniel escreveu as importantes revelações concernentes aos quatro grandes impérios mundiais, governados pelos gentios (não judeus), sua ascensão e destruição final por ocasião da segunda vinda de Cristo. Agora neste capitulo é dado a Daniel um detalhamento do futuro de Israel. Enquanto Daniel orava, o anjo Gabriel foi enviado por Deus para dar a ele o entendimento sobre o futuro da sua nação, profecia esta que também tem o seu ápice na segunda vinda de Cristo (vv.21-23).

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, e dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos” (v.24). Na primeira parte do versículo o anjo dá uma explicação abrangente do período da visão e na última parte são citados os seis objetivos da profecia. Em relação a estes seis objetivos há divergências entre os estudiosos quanto ao seu cumprimento. H.L.Heijkoop escreve o seguinte: “Claro está que isto ainda não foi cumprido. Judá e Jerusalém não cessaram ainda de pecar, e as suas iniqüidades ainda não foram expiadas. A justiça eterna a respeito deles não foi introduzida. As profecias não estão seladas (cumpridas) e o Santo dos Santos ainda não foi ungido” (Eventos futuros, pág.78 - Editora DLC). Já a Bíblia de estudos NVI (BENVI - Editora Vida) explica desta forma: “Dos seis propósitos mencionados (todos devendo ser cumpridos por meio do Messias), alguns acreditam que os três últimos não foram conseguidos pela crucificação e ressurreição de Cristo, mas aguardam mais intervenção por parte dele: trazer justiça eterna (na terra), cumprir totalmente a visão e a profecia e ungir o `Santíssimo`”.

As setenta semanas aqui descritas representam períodos de sete anos cada uma, totalizando 490 anos. Na Bíblia, encontramos as referências às semanas de anos em Levíticos 25.8, assim como em Números 14.34, em que cada dia que os expias de Israel levaram para percorrer a terra de Canaã, significaram um ano cada. “Sabe e entende: Desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Ungido, o Príncipe, sete semanas e setenta e duas semanas. As praças e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos” (v.25). A profecia torna-se clara quando especifica o inicio dos 490 anos: “... a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém”. Esta ordem foi dada em março-abril de 444 a.C. (Neemias 2), enquanto que a ordem para edificar o templo, foi dada por Ciro em 538 a.C. (2º Crônicas 36.22,23).

Empregando o ano bíblico de 360 dias, contando do ano 444 a.C., as sessenta e nove semanas (483 anos) têm seu cumprimento no ano 33 d.C.

Os primeiros sete (as setenta semanas são divididas em sete, sessenta e duas e a de número setenta), se referem ao período da restauração completa de Jerusalém, narradas em partes no livro de Neemias 4, onde houve uma grande oposição inimiga a reconstrução dos muros da cidade. “As praças e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos”. Além dos inimigos, havia muita reclamação dos judeus contra seus próprios irmãos, pois o povo era numeroso e já faltava trigo e precisavam pegar dinheiro emprestado para poderem pagar os impostos, penhorando os membros da família como garantia de pagamento (Neemias 5.2-5).

Sete semanas acrescidas às outras sessenta e duas semanas totalizavam sessenta e nove semanas, ou 483 anos. O ponto final dos 483 anos é explicado na visão: “Depois das sessenta e duas semanas será cortado o Ungido, e não será mais, e o povo do príncipe que há de vir, destruirá a cidade e o santuário. O seu fim será como uma inundação. Até o fim haverá guerra, e estão determinadas desolações” (v.26). Com a morte de Cristo, no ano 33, findam-se as 69 semanas e é acrescentado que a cidade de Jerusalém será destruída novamente, junto com o templo. O que ocorreu historicamente no ano 70 d.C. pelo exército Romano comandado pelo general Tito. “O príncipe que há de vir”, outra referência ao Anticristo juntamente com a revelação da sua origem, ou seja, do povo que destruiu Jerusalém. Mais uma vez a profecia dá indicação do ressurgimento do império Romano num tempo futuro, que terá como governante o homem do pecado, aquele que se levantará e se proclamará Deus.
Tempo da graçaAo findarem-se as 69 semanas, começa o que a Bíblia chama de tempo da graça, também chamada Era da igreja. Todo o período que compreende desde a morte de Cristo até a assinatura do pacto de sete anos, referido no v.27, é um intervalo no cumprimento da profecia. Como veremos adiante, as duas vindas de Cristo são tratadas como uma só na Bíblia; da mesma forma, o último estagio do império Romano (os pés), ainda não teve o seu cumprimento. Assim, estamos vivendo no período interposto entre a semana 69 e a semana 70. O período da igreja, ou seja, a presente Era em que todos são chamados à salvação mediante a graça proporcionada por Jesus Cristo através do Seu sacrifício perfeito na cruz do Calvário.

Este intervalo findará quando for assinado o pacto de sete anos entre o Anticristo (império Romano redivivo) e a nação de Israel. A partir desta assinatura, começará a semana de número setenta. A Era da igreja, formada por gentios e judeus renascidos mediante a fé em Jesus Cristo e unidos num só Corpo, findará com o arrebatamento da igreja (1º Tessalonicenses 4.13-18) onde os salvos que aguardam a vinda do Senhor serão levados ao céu por Ele para que a última semana desta profecia tenha início.

A última semana
A última semana das setenta referentes as visões sobre o futuro de Israel, estão interligadas a última parte da quarta visão dada a Daniel no capítulo 11. Esta quarta visão trás detalhes impressionantes sobre os governantes persas (11.2), o período do governo de Alexandre, o Grande (vv. 3,4), terminando com a profecia sobre Antioco Epifânio (vv.21-35). Por causa destas profecias, o livro de Daniel foi muito atacado pelos cépticos, sendo tratado como obra forjada do século II a.C. – o que foi desmentido pelas descobertas dos chamados “Rolos do Mar Morto”, aonde foi encontrado uma cópia do livro de Daniel, sendo esta a mais antiga cópia que se encontrou deste livro. O que comprova a sua autoria anterior aos acontecimentos narrados no capítulo 11.2-35. A BENVI registra o seguinte sobre este período: “Pouco depois da morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., seus generais dividiram seu império em quatro partes, duas das quais – o Egito e a Síria – ficaram sob o governo dos ptolomeus e dos seleucidas, respectivamente. A Palestina foi controlada pela dinastia ptololemaica do Egito de 323 a 198, sendo depois governada pelos seleucidas da Síria de 198 a 142... Dn 11 trata do “rei do sul” e do “rei do norte”, narrando seus conflitos, governos e tratados. A hostilidade deles contra o povo de Deus culminou com o “sacrilégio terrível” (Dn 11.31), identificado na história com o reinado de Antioco IV Epifânio (175-164). Seguiu-se, então, a revolta dos macabeus, o que acabou levando a fundação da dinastia asmoneia”. Daniel 11.36-45 são profecias futuras que se referem ao reinado do Anticristo, detalhes são acrescidos às visões anteriores (Daniel 7.8 e 9.27) e são referidos como “fim do tempo” ou “época do fim” (NVI).

Em 9.26 de Daniel está escrito: “Ele confirmará uma aliança com muitos por uma semana, mas na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de cereais. E sobre a asa das abominações virá o assolador, até a destruição determinada, a qual será derramada sobre o assolador”. Certo está que a semana de número 70 não aconteceu após a morte de Cristo pelo fato de que nenhum dos acontecimentos narrados no versículo acima se cumpriram. Como a semana 69 terminou com a morte de Cristo (ano 33) e a destruição do santuário só aconteceu cerca de 36 anos depois (ano 70), neste período deveriam ter transcorridos os sete anos da última semana, mas não aconteceu. Não foi assinado nenhum pacto de sete anos em que o mesmo fosse quebrado na metade da vigência, Roma era governada por um único imperador, neste período o sacrifício diário não foi suspenso a não ser quando o templo foi destruído e nem tampouco o reino do Messias foi estabelecido. Houve uma suspensão divina. Deus determinou um período de intervalo - sobre o qual já falamos e que é denominado Era da igreja – antes de dar prosseguimento às profecias narradas em Daniel 9.

Do versículo 36 (Daniel 11) em diante a visão futurista volta-se para o Anticristo, personagem que surgirá dentre a confederação de dez reinos. Em Apocalipse 13.1-10 são dados maiores detalhes referentes às ações deste homem que dominará o mundo. Para quem estuda as profecias, não é difícil de compreender que o palco está sendo armado para o cumprimento destas profecias. A tão sonhada Nova Ordem Mundial da ONU, a economia globalizada, a fragilidade do sistema financeiro mundial que é facilmente abalado por qualquer crise em qualquer parte do mundo, o comércio mundial transacionado praticamente com duas moedas (Dólar e Euro) no meio de um mar de outras tantas, e a tecnologia cada vez mais avançada, está preparando o mundo para receber a marca digitalizada que vai trazer todos os dados de identificação da pessoa substituindo as identidades e os cartões de crédito e bancários que hoje todos nós estamos acostumados a usar.

Embora a tribulação será caracterizada pela paz nos primeiros meses, os versículos 40 a 45 de Daniel 11 mostram que conflitos serão travados na terra principalmente entre os inimigos políticos do Anticristo que não aceitarão o seu domínio. Alianças serão engendradas e o mundo se encaminhará para o confronto final no vale de Megido. Jesus Cristo interferirá pessoalmente vindo do céu à terra para dar fim ao conflito nuclear que poderia acabar com toda a vida no planeta.